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19 de abr. de 2008

CHORANDO DE BARRIGA CHEIA


E completamos um mês desde que os auditores da receita federal do Brasil entraram em greve!

Trinta dias suficientes, para que empresas dos mais diversos setores produtivos, tenham acumulado prejuízos incalculáveis de todas as categorias possíveis e imagináveis.

As cifras superam os 5 Bilhões de U$, as filas de caminhões nas entradas dos terminais de carga de todo o pais são quilométricas e muitas empresas já começam a fechar para as férias, por não terem como escoar sua produção, alem de tudo isso muito mais difícil que recuperar dinheiro e tempo é recuperar a confiança de um cliente que levou meses para ser conquistado e que quando finalmente autoriza o primeiro pedido, não receberá a mercadoria na data acertada. Detalhes que sim, fazem a diferença.

Chega a ser algo surreal, uma classe de trabalhadores, que com uma atitude inconseqüente, e mesquinha prejudica toda a economia de seu país. Como queremos competir no comercio internacional? Como podemos querer aumentar nossa participação na economia global? Como não ter vergonha desta falta de vergonha? Eu não sei! Mas reclamo! Reclamo! Reclamo!

Ontem, 18/04, os auditores receberam a notícia de que não receberão os dias parados. E dai? As empresas que vão pedir concordata, não receberão uma segunda chance do mercado. A realidade é dura, e infelizmente o tempo não para.

18 de abr. de 2008

REVENDO ALGUNS CONCEITOS

Muito me assusto, ao perceber que, no Brasil alguns valores considerados básicos para a formação de uma sociedade, adquiriram com o tempo, uma conotação distorcida e muitas vezes até inversa. Por exemplo, é muito comum, em nossa sociedade, que funcionários públicos sejam vistos como super-heróis, que merecem receber altos salários, além de contar com todo o tipo de ajuda e benefícios, enquanto que pequenos empresários sejam muitas vezes chamados de loucos, aventureiros e até mesmo oportunistas.
Não pensem que desconheço ou ignoro a importância da participação do governo para o desenvolvimento de uma sociedade, a “Mão invisível” para mim, não passou de uma ferramenta utilizada por alguns paises desenvolvidos para tentar expandir seus mercados de consumo no seu momento. O grande desempenho das economias asiáticas em comparação às da América Latina é outro formidável exemplo de que a participação do governo é algo que deve ser muito bem planejada, se queremos ter êxito, nesse jogo que chamamos de macroeconomia global e assim aumentar nossas cotas de participação no comercio internacional.
Na realidade, o que me assusta é que como as coisas vêem se desenvolvendo, logo chegará o dia em que no Brasil teremos mais funcionários públicos que empresários. Cada dia é mais comum receber a resposta, “estudando para concurso público”, quando pergunto a algum colega, o que tem feito da vida. O Brasil às vezes parece andar na contra mão! Vemos o mundo inteiro discutir as vantagens e desvantagens da falta de estabilidade dos empregos modernos, a autonomia e independência dos profissionais liberais, a grande importância que as pequenas empresas têm para uma melhor distribuição de renda na economia de uma comunidade e aqui o mais normal é se escutar de jovens recém saídos das universidades, “ Estudo três ou quatro anos e me aposento como funcionário público”. Jovens como estes, que devido a deficiente educação de nossas instituições de ensino e falta de cultura empreendedora de nossa sociedade, não se vêem motivados a exercitar seus conhecimentos, criatividade e audácia em fazer acontecer coisas novas partindo para a criação de mais uma nova empresa.
Nunca podemos esquecer que as empresas são a principal forma de alimentação de uma sociedade capitalista. São elas as responsáveis por gerar bens, serviços, empregos, renda e fazer girar a economia. Com essa observação gostaria de finalizar, porem não sem antes perguntar: Quem pagará os salários de nossos funcionários públicos quando este dia chegar?

17 de abr. de 2008

O CONHECIMENTO MOVE O CAPITAL


Nos dias de hoje, em um mercado onde a oferta triplica a demanda e os consumidores são cada vez mais infiéis, o único ativo que pode salvar uma empresa e realmente fazer a diferença são os recursos humanos.

Vivemos uma era onde a concorrência pode estar a dois ou a 200 mil quilômetros, sem a necessidade de que a distância diminua sua competitividade.

Esse é o mundo globalizado!

Um mundo onde os custos de trasporte e informação atingiram patamares nunca antes imaginados, onde um profissional brasileiro pode comunicar-se em tempo real com seu fornecedor de matéria prima chinês e seu cliente americano a custo zero, onde fábricas-navio fabricam durante a viagem e oferecem um serviço just in time.

Estamos num mundo onde só o conhecimento move o capital.

A internet, grande invenção do século XX, revolucionou o mundo que conhecemos.

Como beneficiar-se de toda a informação contida na rede? Em mercados onde 80% da população já tem accesso a internet, estar fora da rede é algo inaceitável. Qual é seu mercado?

Será que seu competidor que se encontra numa oficina no centro de Bangalore pensa que o mercado dele se limita a um raio de 50 Km?

Ou será que esse mesmo fabricante de software para celulares acredita no poder da globalização e pretende atacar o mercado brasileiro, simplesmente posicionando sua página web, em português, através de Google Adwords e oferecendo qualidade no serviço e preços muito competitivos?

Já não há tempo a perder, a velocidade dos fluxos globais de capital e informação se quadruplicam a cada ano, a economia mundial se encontra em plena era de expansão, vivemos uma era de abundância plena, mas só os melhores, mais rápidos, e mais adaptáveis conseguirão permanecer neste mercado.

Por que será que a GE (General Eletric) escolheu converter-se em milhões de pequenas empresas? Porque nessa era de velocidade nenhum elefante sobreviverá. Temos que ser rápidos! Temos que ser ágeis!

Pergunte, pergunte e pergunte! Só as perguntas nos salvarão.

O mundo esta aos nossos pés, oferta e demanda mundial, carteira de clientes que fala mais de 50 idiomas diferentes, distribuídos por todos os continentes e ávidos por receber a nova edição de sua revista que fala sobre os principias concertos de rock no mundo.

Essa não é nenhuma projeção de um futuro, é a mais pura realidade do presente e você esta obrigado a aceitar se pensa em permanecer vivo! Consumidores de todos os lados, competidores também. Pense globalmente!

Um adolescente pode neste momento estar cruzando a porta de um registro de patentes e registrando sua marca num país do outro lado do mundo! Cuidado!

Este poderia ser o mercado que você planejava atacar no próximo ano. Na Espanha, a marca Nike não pode utilizar este nome e tem que limitar-se a estampar seu logotipo em seus produtos.

O nome do carro da Mitsubish, Pajero, teve que ser trocado por Montero, em todos os países de língua espanhola. Pense globalmente e atue localmente!

Viaje, viaje e viaje! Conheça o mundo e suas tão diferentes culturas. Tire proveito de toda essa diferença.

A marca Zara, espanhola, atua de forma completamente diferente dentro do mercado espanhol que em outros países.

Para que fosse reconhecida como uma marca que aporta algo de qualidade a seus produtos, dentro da Espanha, a marca Zara se viu obrigada a criar uma segunda marca.

Afinal, após tantos anos para posicionar-se como uma marca barata e de desenho, que possibilita a seus clientes estar sempre na moda sem ter que investir muito dinheiro, os seus consumidores não aceitariam pagar preços altos por um produto que já era conhecido, como de baixa qualidade.

Em contrapartida, fora da Espanha Zara é percebida como uma marca que sim, aporta algo de qualidade e cobra por isso.

Toda esta reflexão, caros leitores, esta bastante influenciada por um livro que mudou minha forma de ver e atuar tanto a âmbito profissional como pessoal.

“Funky Business” assim se intitula o livro de Jonas Ridderstrale e Kjell Nordström, profesores doutores da Escola de Economia de Estocolmo.

Considero que este livro é altamente recomendado a todos os que queiram ver através dos olhos destes que são dois gurus mundiais e trabalham muito além de professores, como consultores de dezenas de grandes empresas.

É um livro muito atual e que nos obriga a pensar de forma mais ágil, global e aberta.

Simples comparação: Brasil e Espanha


Abrir novos mercados, aumentar a carteira de clientes, diversificar riscos, aproveitar as economias de escala e internacionalizar-se.

Todos estes termos, que tanto escutamos neste momento de abertura comercial que vive a economia brasileira, podem parecer a uma primeira leitura, objetivos impossíveis de serem alcançados e até mesmo muito complicados e caros para as pequenas e médias empresas.

Muitas vezes por falta de conhecimento, empresas possuidoras de uma vocação natural para a internacionalização, que fabricam produtos de alto valor agregado e que seriam bem aceitos no mercado internacional, sendo necessária a realização de algumas simples adaptações de embalagem, até gostariam de começar este processo e recuam ao primeiro obstáculo, por medo, desinformação e imediatismo, esquecendo de todas as vantagens que este processo pode gerar.

Com o objetivo de ajudar as empresas que almejam internacionalizarem-se, muitos países costumam ter um órgão que oferece treinamentos, assessorias técnica/jurídica, organiza ações como: missões comerciais, participação agrupada em feiras internacionais, estudos de mercado e uma série de outras ações que visam incentivar e apoiar estas empresas que estão começando com o processo de internacionalização e até mesmo empresas que já possuem alguns mercados externos bem consolidados, mas que gostariam de entrar em outros mercados onde ainda não estão presentes.

No Brasil, a APEX, Agência de Promoção de Exportações e Investimentos, (www.apexbrasil.com.br), realiza continuamente uma série de atividades com o objetivo de ajudar as empresas nacionais a alcançar estes objetivos e assim aumentar o superávit da balança comercial ao mesmo tempo em que incentivamos a indústria nacional, contudo se comparamos a APEX, com o ICEX, Instituto Espanhol de Comercio Exterior (www.icex.es), ficaremos como mínimo desiludidos, depois de observar que o nível de apoio econômico e informativo do órgão espanhol se encontra a anos luz do órgão brasileiro.

Uma empresa espanhola considerada de meio ou pequeno porte, recebe mais de 50% de todos os custos referentes a criação de um departamento de exportação durante os dois primeiros anos deste departamento, formação profissional, subvenções para criação de páginas web, para o pagamento de salários, para publicação de artigos, e até mesmo para convidar possíveis distribuidores internacionais, para que venham a conhecer a empresa, pagando vôo, hotel, alimentação e todos os demais gastos que possam ser gerados por seu deslocamento.

Em junho de 2007, realizei uma viagem a São Paulo, para conhecer uma feira setorial e contatar com possíveis distribuidores para a empresa que represento como export área manager.

O custo total desta viagem alcançou a cifra de 2.000,00€, que pode ser considerado um valor relativamente alto para uma pequena empresa, porém, como foi uma viagem realizada através de um dos programas do ICEX, esta semana foram depositados na conta da empresa 1.560,00€.

No final, uma viagem transatlântica, de uma semana, custou menos de 500,00€, valor que já foi recuperado através das vendas que a viagem gerou.

Se paramos para pensar, a Espanha é uma das economias européias menos desenvolvidas, apesar de ser uma das que mais crescem atualmente, a economia espanhola se encontra muito atrás de economias como Alemanha, Reino Unido, ou a própria França, país vizinho.

Como competir no mercado internacional com países assim? Essa é uma pergunta que me faço freqüentemente.

Teria a APEX, recursos suficientes para apoiar às empresas nacionais desta mesma forma ou pelo menos de uma forma parecida? Estas são perguntas que não pretendo responder, mas que gostaria de compartir com os vários companheiros que se dedicam a este apaixonante mundo das relações internacionais.