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17 de abr. de 2008

Simples comparação: Brasil e Espanha


Abrir novos mercados, aumentar a carteira de clientes, diversificar riscos, aproveitar as economias de escala e internacionalizar-se.

Todos estes termos, que tanto escutamos neste momento de abertura comercial que vive a economia brasileira, podem parecer a uma primeira leitura, objetivos impossíveis de serem alcançados e até mesmo muito complicados e caros para as pequenas e médias empresas.

Muitas vezes por falta de conhecimento, empresas possuidoras de uma vocação natural para a internacionalização, que fabricam produtos de alto valor agregado e que seriam bem aceitos no mercado internacional, sendo necessária a realização de algumas simples adaptações de embalagem, até gostariam de começar este processo e recuam ao primeiro obstáculo, por medo, desinformação e imediatismo, esquecendo de todas as vantagens que este processo pode gerar.

Com o objetivo de ajudar as empresas que almejam internacionalizarem-se, muitos países costumam ter um órgão que oferece treinamentos, assessorias técnica/jurídica, organiza ações como: missões comerciais, participação agrupada em feiras internacionais, estudos de mercado e uma série de outras ações que visam incentivar e apoiar estas empresas que estão começando com o processo de internacionalização e até mesmo empresas que já possuem alguns mercados externos bem consolidados, mas que gostariam de entrar em outros mercados onde ainda não estão presentes.

No Brasil, a APEX, Agência de Promoção de Exportações e Investimentos, (www.apexbrasil.com.br), realiza continuamente uma série de atividades com o objetivo de ajudar as empresas nacionais a alcançar estes objetivos e assim aumentar o superávit da balança comercial ao mesmo tempo em que incentivamos a indústria nacional, contudo se comparamos a APEX, com o ICEX, Instituto Espanhol de Comercio Exterior (www.icex.es), ficaremos como mínimo desiludidos, depois de observar que o nível de apoio econômico e informativo do órgão espanhol se encontra a anos luz do órgão brasileiro.

Uma empresa espanhola considerada de meio ou pequeno porte, recebe mais de 50% de todos os custos referentes a criação de um departamento de exportação durante os dois primeiros anos deste departamento, formação profissional, subvenções para criação de páginas web, para o pagamento de salários, para publicação de artigos, e até mesmo para convidar possíveis distribuidores internacionais, para que venham a conhecer a empresa, pagando vôo, hotel, alimentação e todos os demais gastos que possam ser gerados por seu deslocamento.

Em junho de 2007, realizei uma viagem a São Paulo, para conhecer uma feira setorial e contatar com possíveis distribuidores para a empresa que represento como export área manager.

O custo total desta viagem alcançou a cifra de 2.000,00€, que pode ser considerado um valor relativamente alto para uma pequena empresa, porém, como foi uma viagem realizada através de um dos programas do ICEX, esta semana foram depositados na conta da empresa 1.560,00€.

No final, uma viagem transatlântica, de uma semana, custou menos de 500,00€, valor que já foi recuperado através das vendas que a viagem gerou.

Se paramos para pensar, a Espanha é uma das economias européias menos desenvolvidas, apesar de ser uma das que mais crescem atualmente, a economia espanhola se encontra muito atrás de economias como Alemanha, Reino Unido, ou a própria França, país vizinho.

Como competir no mercado internacional com países assim? Essa é uma pergunta que me faço freqüentemente.

Teria a APEX, recursos suficientes para apoiar às empresas nacionais desta mesma forma ou pelo menos de uma forma parecida? Estas são perguntas que não pretendo responder, mas que gostaria de compartir com os vários companheiros que se dedicam a este apaixonante mundo das relações internacionais.

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