Muito me assusto, ao perceber que, no Brasil alguns valores considerados básicos para a formação de uma sociedade, adquiriram com o tempo, uma conotação distorcida e muitas vezes até inversa. Por exemplo, é muito comum, em nossa sociedade, que funcionários públicos sejam vistos como super-heróis, que merecem receber altos salários, além de contar com todo o tipo de ajuda e benefícios, enquanto que pequenos empresários sejam muitas vezes chamados de loucos, aventureiros e até mesmo oportunistas.
Não pensem que desconheço ou ignoro a importância da participação do governo para o desenvolvimento de uma sociedade, a “Mão invisível” para mim, não passou de uma ferramenta utilizada por alguns paises desenvolvidos para tentar expandir seus mercados de consumo no seu momento. O grande desempenho das economias asiáticas em comparação às da América Latina é outro formidável exemplo de que a participação do governo é algo que deve ser muito bem planejada, se queremos ter êxito, nesse jogo que chamamos de macroeconomia global e assim aumentar nossas cotas de participação no comercio internacional.
Na realidade, o que me assusta é que como as coisas vêem se desenvolvendo, logo chegará o dia em que no Brasil teremos mais funcionários públicos que empresários. Cada dia é mais comum receber a resposta, “estudando para concurso público”, quando pergunto a algum colega, o que tem feito da vida. O Brasil às vezes parece andar na contra mão! Vemos o mundo inteiro discutir as vantagens e desvantagens da falta de estabilidade dos empregos modernos, a autonomia e independência dos profissionais liberais, a grande importância que as pequenas empresas têm para uma melhor distribuição de renda na economia de uma comunidade e aqui o mais normal é se escutar de jovens recém saídos das universidades, “ Estudo três ou quatro anos e me aposento como funcionário público”. Jovens como estes, que devido a deficiente educação de nossas instituições de ensino e falta de cultura empreendedora de nossa sociedade, não se vêem motivados a exercitar seus conhecimentos, criatividade e audácia em fazer acontecer coisas novas partindo para a criação de mais uma nova empresa.
Nunca podemos esquecer que as empresas são a principal forma de alimentação de uma sociedade capitalista. São elas as responsáveis por gerar bens, serviços, empregos, renda e fazer girar a economia. Com essa observação gostaria de finalizar, porem não sem antes perguntar: Quem pagará os salários de nossos funcionários públicos quando este dia chegar?
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